27.7.18

Para vocês, futuros universitários || O Ano de Caloiro (1º parte)


Para os alunos que vão entrar pela primeira vez no ensino superior, o ano de caloiro é considerado aquele que mais causa impacto nas suas vidas. Isto acontece pois, como o primeiro ano é o de transição do ensino secundário para o superior e, em consequência, traz imensas mudanças, acaba por causar um maior marco, comparativamente aos outros anos. Entramos para um novo estabelecimento, onde o número de alunos é muito maior, onde a turma do nosso curso, por norma, é muito maior e onde vamos estar em contacto com várias pessoas diferentes, vindas de vários cantos do país - até mesmo do estrangeiro - com diferentes formas de viver e, mesmo, com idades distintas (ainda que a maioria dos alunos entre com 18 anos). E, para além disso, vamos estar em contacto com um novo sistema de ensino, onde a dedicação e a exigência é muito maior e, por isso, a nota que os alunos vão lutar para obter é um 9,5 e não os 18's, 19's e 20's. Portanto, podemos ver que a faculdade é mesmo muito diferente do que andar no ensino secundário. Óbvio que tem as suas coisas más também, mas, na minha opinião, vale sempre a pena andar na faculdade. 



Sendo assim, vou dar-vos a conhecer alguns dos maiores marcos que vocês, caloiros, muito provavelmente, vão estar em contacto, ao longo do vosso primeiro ano. 

A Praxe: 

Este é, provavelmente, o assunto relacionado com a universidade que mais dá que falar. Não é novidade que ainda é um tema muito tabu. Mas, isto acontece, pois, muitas vezes, os media dão-nos uma informação muito errada sobre o que é a praxe. Portanto, muitos alunos ficam com medo ou outros não querem experimentar, por causa disso. Claro que existem faculdades em que a praxe é ofensiva ou abusiva, mas não podemos generalizar. Um caso não são casos. Por isso, o que vos aconselho - e que outras pessoas também aconselham - é que experimentem a praxe. Tirem de lá a vossa própria experiência, a vossa própria opinião. Se experimentarem e não gostarem ou não se identificarem, saiam simplesmente. À partida, ninguém vos exclui por causa disso. Continuarão a ter sempre alguém com quem estar. Ouvi e assisti a casos de alunos que saíram da praxe e não foram excluídos. Continuaram a ter gente com quem conviver. Caso entres e gostes, ótimo. Continua. No entanto, não julgues a praxe sem antes experimentares.


Apadrinhar:

A escolha de um padrinho ou madrinha (ou ambos) é algo importante, pois será aquela pessoa que te vai acompanhar ao longo da tua vida académica, que te vai ajudar na tua integração, que te vai dar conselhos de quem já esteve no teu lugar, que vai viver os melhores momentos da faculdade contigo, além do teu grupo de amigos, e que te vai batizar e traçar a capa. Portanto, a escolha deve ser bem feita. Eu sei que é muito fácil falar. Muitas vezes acabamos por escolher um pouco à pressa, pois o tempo que temos entre as colocações da faculdade e a latada não é suficiente para conhecer muito bem alguém. Por isso, uns acabam por ter a sorte e fazer uma boa escolha, outros nem por isso. Contudo, se acontecer fazeres uma má escolha, don't blame yourself. Acontece a muitos.


A Latada: 

É muito importante para os caloiros, pois é o seu primeiro maior evento universitário e é, também, dedicado a eles mesmos. Para quem não sabe o que é exatamente, eu explico: Em Coimbra, pelo menos, todos os padrinhos/madrinhas fazem ou mandam fazer um fato (imagina-te como estivesses no Carnaval), para os seus afilhados, com as cores da sua respetiva faculdade e com latas agarradas a si. No dia da Latada, mais especificamente, no dia do cortejo, os caloiros tem que desfilar pelas ruas da cidade com esses fatos e um penico (com doces lá dentro), fazendo-se também acompanhar pelos seus padrinhos/madrinhas. No final do dia, os caloiros são batizados pelos seus respetivos padrinhos e/ou madrinhas.
A minha experiência neste dia foi um bocado atribulada. Estava muito vulnerável (derivado a outros motivos), então acabei por ir abaixo. No entanto, acho que acabou por se tornar uma boa experiência à mesma pois, apesar desse contratempo, acabei por achar que a Latada nem era tão má assim. Consegui diverti-me à mesma, como por exemplo, quando ouvi a tuna a tocar ou quando ouvi a Balada da Despedida pela primeira vez (é uma música bonita). Portanto, posso admitir agora que, olhando para trás, ainda bem que experienciei este dia. 


Faltar às aulas: 

Sim, ainda que não tenha sido com muita frequência, aliás, até foi muito raramente, eu faltei a aulas no primeiro ano (quem não?). Ainda para mais quando vais sair no dia anterior é que não te apetece mesmo nada ir aquela aula chata. Sim, existem aulas chatas, que sentes que não estás a aprender nada e que o melhor é ficar em casa a assistir a tutorais no youtube, pois aprendes mais rápido (acreditem que fiquei a perceber melhor algumas matérias de matemática graças aos brasileiros do youtube, que me salvaram no exame de recurso dessa cadeira). No entanto, não faças do ato de faltar um hábito, pois se não, vais andar a queixar-te que tiraste muitos 9,5's e que vais a muitos exames de recurso e não sabes porquê. Ainda há quem o faça, mas depois acontece ter 30 anos e ainda não ter acabado o curso. Mas isso já é outra história.
Portanto, o que quero dizer é que, não, não faz mal faltar a uma aula ou outra, se vires que não te prejudica em nada e que não te vai fazer falta. Caso contrário, é melhor ires, se não, quem se lixa nas avaliações és tu, como é óbvio.



Mudança de grupo: 

Acho que a maior parte dos alunos universitários passa sempre por isto. Aliás, até eu percebo agora que é a coisa mais natural e normal que existe. É normal mudarmos de amigos ao longo do nosso curso e o grupo ir alterando-se ao longo do tempo. As primeiras pessoas com quem nos damos ao início do primeiro ano, a maior parte das vezes não são aquelas que permanecerão até ao final do terceiro. E, outras vezes, acontece também conhecermos alguém, ao início, e nos darmos com essa pessoa até ao fim, quem sabe. Mas, geralmente, o que mais acontece é afastarmos de uns e aproximarmo-nos de outros. E isto tem que ver apenas com o facto de percebermos que as pessoas que nos dávamos à primeira ou não são assim tão boa companhia ou são apenas pessoas com as quais não nos identificamos. É o ciclo da vida, não é apenas na universidade que isto acontece. A amizade não é algo que se possa forçar, que se possa pedir. Simplesmente acontece, quando tem que acontecer. Ocorre com o tempo e quando vais convivendo com as pessoas e vês quais são aquelas com quem te dás melhor e te sentes melhor. Acontece igualmente perceberes que aquelas pessoas que tu achavas que ias ficar para o resto da vida, num piscar de olhos, deixam de estar na tua vida e passam a estar outras que tu não imaginavas sequer que seriam elas. But don't worry. Tudo tem o seu motivo para acontecer.


P.S. Este tema (que pertence, basicamente, à terceira parte desta rúbrica de "Para vocês, futuros universitários" - já passou a ser considerada uma rúbrica), ainda não está terminado. Eu decidi dividi-lo em vários post's pois seria mais acessível para vocês lerem - e eu sei que é massacrante ter um post cheio de texto. Portanto, para a próxima semana, irei publicar outro post relacionado com o Ano de Caloiro.
Fiquem atentas/os. 

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