Lembro-me de, neste dia, os meus pais se terem disponibilizado para me levarem até Coimbra, uma vez que eu tinha calhado nas residências universitárias e tinha que levar as tralhas todas no carro. Então assim foi. Arrancamos de manhã. Não me lembro de ter sentido nervosismo. Cheguei à residência e fomos ter com o senhorio para me dar as chaves e os lençóis e para me apresentar a residência. Recordo-me de subir as escadas (fiquei no último andar) e ver passar uma rapariga que interagiu logo comigo. Foi muito simpática e disponibilizou-se para me ajudar. Se não me engano, foi nesse momento que ela me perguntou para que quarto ia, eu respondi, e disse-me que a minha futura colega de quarto era muito simpática. Em seguida, apareceu outra rapariga, quando já estava a sair do seu quarto, que também foi muito simpática para mim. Mais uma vez, fiquei a leste naquele momento. Já era muita coisa nova à minha volta: uma nova casa, novo quarto, pessoas novas, que já lá estavam em anos anteriores e que se mostraram disponíveis para me ajudar. Lembro-me de não estar bem presente na situação, isto é, parecia que ainda não estava em mim - e na verdade não estava.
Depois da residência, fomos almoçar ao mesmo restaurante que tínhamos almoçado no dia das matrículas, no Alma Shopping. Sim, ficamos a gostar dele (para quem não sabe, é um restaurante self servisse, que serve comida brasileira e portuguesa; o bom de tudo é que lá podemos repetir a refeição quantas vezes quisermos por 7 euros , se não me engano, e temos muita opção de escolha - a única desvantagem é termos que pagar a bebida à parte). Depois do almoço comecei a sentir-me mais nervosa, pois seria o momento em que os meus pais iam embora - apenas me iam levar ao Parque Verde do Mondego, onde estava a decorrer uma das atividades da Receção ao Caloiro. Daquela vez, seria só eu mesma naquela cidade, sozinha. Sem a família e os amigos por perto.
Entretanto, quando cheguei ao parque verde, os meus pais foram embora e eu liguei à minha colega - com quem tinha comunicado no dia das matrículas e com quem já tinha falado no Facebook - e ela ofereceu-se a vir ter comigo. Disse-lhe onde estava e lá nos encontramos e dirigimo-nos à beira dos nossos colegas. Fiquei super tímida lá no meio do grupo - eu já sou tímida por natureza, então, com tanta gente nova assim de repente, fico ainda mais. Mas achei-os simpáticos - alguns meteram conversa comigo. Lembro-me de uma colega minha me dizer, mal eu cheguei, "não és aquela com um nome estrangeiro?" e eu, confusa, neguei e outra com quem tinha falado, por acaso, no dias das matrículas, respondeu "ela chama-se Rafaela". Foi um momento cómico, agora que me lembro.
Anyway, depois do parque verde, alguns foram de autocarro até ao local onde decorreria a próxima atividade (que, por acaso, era no bar Avenue Club) e outros, incluindo eu, foram a pé (na altura, a explicação dos doutores da Tertúlia de como funcionava lá os autocarros era muito confusa para mim, portanto, preferi escolher ir a pé). Tentei meter conversa com pouquíssimas pessoas, ainda com algum custo e ainda que não tenha sido em grande quantidade. Lembro-me de me sentir completamente um peixe fora de água, porque parecia não conseguir encaixar em ninguém. Mas, agora percebo que, apesar de não parecer, os meus colegas, ainda que tivessem mais gente com quem falar, deviam sentir o mesmo, porque também estavam no mesmo barco que eu. No entanto, naquela altura, não entendia isso. Pensava que só eu é que estava a sentir isso.
Depois dessa atividade, conhecemos os nossos doutores de curso. Fomos a pé até atrás das piscinas - embora a maior parte das minhas colegas tenham ido a casa antes do jantar - que ficam ao lado da ESEC, para realizarmos o primeiro jantar de curso (iria haver pizzas). Lembro-me do meu doutor ter ficado "ofendido" por eu não o ter cumprimentado, ou algo do género, e, então, fez-me gritar bem alto "Boa noite, doutor (…)!". Escusado será dizer que morri de vergonha, ainda que não estivesse lá muita gente. Mais tarde, durante o jantar, lembro-me de me sentir ainda mais "peixe fora d'água" porque não estava a conseguir interagir muito. Sendo assim, decidi regressar à residência e não sair à noite. No entanto, foi muito pior. Foi aí que senti a solidão. Não estava lá a minha colega de quarto, não a tinha visto sequer ainda. Então, fechei a porta às chaves. Deitei-me na cama e senti-me ainda mais sozinha. Com um aperto no coração enorme. Ainda liguei à minha irmã, desesperada, porque estava a sentir-me muito mal por estar ali sozinha, não no sentido de não ter ficado com as minhas colegas, mas sim no sentido de, naquele momento, ter percebido a situação, ou seja, que estava sozinha noutra cidade que não era a que estava acostumada a viver, numa casa nova, longe das pessoas que conhecia. Parecia que tinha caído em mim, apercebendo-me que aquilo realmente estava a acontecer.
Um caso à parte: acontece que a minha colega de quarto estava na residência e as chaves dela estavam no quarto - algo que não tinha reparado. Então, mais tarde, ela tentou entrar no quarto e, quando viu que estava fechado, ficou bastante preocupada. Mas depois ficou tudo bem, pois eu abri-lhe a porta (foi assim que ocorreu o nosso primeiro encontro).
No entanto, no dia a seguir, uma das raparigas que me tinha cumprimentado de manhã, pediu-me para mudar para o meu quarto, porque queria ficar com a minha colega. Eu aceitei sem problemas, porque nem sequer conhecia bem a tal minha colega de quarto e não tinha arrumado completamente as minhas tralhas. Fizemos as mudanças juntas e, em consequência, fiquei até à altura da Latada sem colega de quarto. Isto é, só conheci a minha segunda colega no dia da Serenata.
Conclusão da história:
Como já tinha referido, e parecendo que não, estamos todos no mesmo barco. Somos todos novos naquele mundo que é a universidade e, apesar de uns conseguirem adaptar-se melhor ao ambiente e às pessoas que outros , não significa que não tenham inseguranças. Eles próprios também podem, de alguma forma, sentir-se "peixes fora de água", o que é normal. E é compreensível também sentirmos que somos os únicos a passar pela situação, que parece que só a nós é que está a custar e que os outros parecem já se terem adaptado muito bem logo no primeiro dia. O que muitas vezes acontece é que essas pessoas não mostram que se sentem inseguras, portanto, não dá para notar isso. Acreditem que nessa altura também tive dificuldade em perceber isso. Porém, depois vi que não era a única, que havia lá pessoas mais no seu canto e que também não falavam muito. E isso nem sempre significa que algo está de errado com elas e que elas simplesmente não querem falar para ninguém. O que
acontece algumas vezes é que não se conseguem adaptar ou falar com alguém desconhecido à primeira. Como disse: não somos todos iguais, cada um tem a sua forma de se adaptar e o seu ritmo.
Para finalizar mesmo, espero que tenha gostado de ler esta experiência e, para os que vão entrar agora na universidade, espero igualmente que entrem da melhor forma possível. Vão ver que, mais tarde, irão recordar-se destes primeiros dias e que vão sentir nostalgia, apesar de, na altura, ter custado ultrapassar os primeiros dias de adaptação. Para dizer a verdade, este foi um dos posts que mais gostei de escrever, pois ajudou-me a recordar aquela altura e a perceber o quão eu estou diferente daquela Rafaela que entrou para a universidade pela primeira vez. Aliás, até me lembro de na altura ter contado sobre este dia aqui no blog e tenho perfeita noção que a forma como contei foi totalmente diferente da de agora.
Para a semana, volto com mais um post (ainda que não saiba ao certo o que vou escrever - alguma ideia? -, mas na altura decido). Fiquem à espera (de preferência, sentados).
Anyway, depois do parque verde, alguns foram de autocarro até ao local onde decorreria a próxima atividade (que, por acaso, era no bar Avenue Club) e outros, incluindo eu, foram a pé (na altura, a explicação dos doutores da Tertúlia de como funcionava lá os autocarros era muito confusa para mim, portanto, preferi escolher ir a pé). Tentei meter conversa com pouquíssimas pessoas, ainda com algum custo e ainda que não tenha sido em grande quantidade. Lembro-me de me sentir completamente um peixe fora de água, porque parecia não conseguir encaixar em ninguém. Mas, agora percebo que, apesar de não parecer, os meus colegas, ainda que tivessem mais gente com quem falar, deviam sentir o mesmo, porque também estavam no mesmo barco que eu. No entanto, naquela altura, não entendia isso. Pensava que só eu é que estava a sentir isso.
Depois dessa atividade, conhecemos os nossos doutores de curso. Fomos a pé até atrás das piscinas - embora a maior parte das minhas colegas tenham ido a casa antes do jantar - que ficam ao lado da ESEC, para realizarmos o primeiro jantar de curso (iria haver pizzas). Lembro-me do meu doutor ter ficado "ofendido" por eu não o ter cumprimentado, ou algo do género, e, então, fez-me gritar bem alto "Boa noite, doutor (…)!". Escusado será dizer que morri de vergonha, ainda que não estivesse lá muita gente. Mais tarde, durante o jantar, lembro-me de me sentir ainda mais "peixe fora d'água" porque não estava a conseguir interagir muito. Sendo assim, decidi regressar à residência e não sair à noite. No entanto, foi muito pior. Foi aí que senti a solidão. Não estava lá a minha colega de quarto, não a tinha visto sequer ainda. Então, fechei a porta às chaves. Deitei-me na cama e senti-me ainda mais sozinha. Com um aperto no coração enorme. Ainda liguei à minha irmã, desesperada, porque estava a sentir-me muito mal por estar ali sozinha, não no sentido de não ter ficado com as minhas colegas, mas sim no sentido de, naquele momento, ter percebido a situação, ou seja, que estava sozinha noutra cidade que não era a que estava acostumada a viver, numa casa nova, longe das pessoas que conhecia. Parecia que tinha caído em mim, apercebendo-me que aquilo realmente estava a acontecer.
Um caso à parte: acontece que a minha colega de quarto estava na residência e as chaves dela estavam no quarto - algo que não tinha reparado. Então, mais tarde, ela tentou entrar no quarto e, quando viu que estava fechado, ficou bastante preocupada. Mas depois ficou tudo bem, pois eu abri-lhe a porta (foi assim que ocorreu o nosso primeiro encontro).
No entanto, no dia a seguir, uma das raparigas que me tinha cumprimentado de manhã, pediu-me para mudar para o meu quarto, porque queria ficar com a minha colega. Eu aceitei sem problemas, porque nem sequer conhecia bem a tal minha colega de quarto e não tinha arrumado completamente as minhas tralhas. Fizemos as mudanças juntas e, em consequência, fiquei até à altura da Latada sem colega de quarto. Isto é, só conheci a minha segunda colega no dia da Serenata.
Conclusão da história:
Como já tinha referido, e parecendo que não, estamos todos no mesmo barco. Somos todos novos naquele mundo que é a universidade e, apesar de uns conseguirem adaptar-se melhor ao ambiente e às pessoas que outros , não significa que não tenham inseguranças. Eles próprios também podem, de alguma forma, sentir-se "peixes fora de água", o que é normal. E é compreensível também sentirmos que somos os únicos a passar pela situação, que parece que só a nós é que está a custar e que os outros parecem já se terem adaptado muito bem logo no primeiro dia. O que muitas vezes acontece é que essas pessoas não mostram que se sentem inseguras, portanto, não dá para notar isso. Acreditem que nessa altura também tive dificuldade em perceber isso. Porém, depois vi que não era a única, que havia lá pessoas mais no seu canto e que também não falavam muito. E isso nem sempre significa que algo está de errado com elas e que elas simplesmente não querem falar para ninguém. O que
acontece algumas vezes é que não se conseguem adaptar ou falar com alguém desconhecido à primeira. Como disse: não somos todos iguais, cada um tem a sua forma de se adaptar e o seu ritmo.
Para finalizar mesmo, espero que tenha gostado de ler esta experiência e, para os que vão entrar agora na universidade, espero igualmente que entrem da melhor forma possível. Vão ver que, mais tarde, irão recordar-se destes primeiros dias e que vão sentir nostalgia, apesar de, na altura, ter custado ultrapassar os primeiros dias de adaptação. Para dizer a verdade, este foi um dos posts que mais gostei de escrever, pois ajudou-me a recordar aquela altura e a perceber o quão eu estou diferente daquela Rafaela que entrou para a universidade pela primeira vez. Aliás, até me lembro de na altura ter contado sobre este dia aqui no blog e tenho perfeita noção que a forma como contei foi totalmente diferente da de agora.
Para a semana, volto com mais um post (ainda que não saiba ao certo o que vou escrever - alguma ideia? -, mas na altura decido). Fiquem à espera (de preferência, sentados).








Basicamente escreve como agora, as tuas experiências e como te sentiste :) Tive um primo que esteve na Covilhã... e adorou. Só não gostou das subidas e do frio, fora isso xD
ResponderEliminarBeijinhos,
O meu reino da noite
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Sim, terei muitas experiências para vos contar, só não me lembro assim de repente quais exatamente xd
EliminarConheço gente que lá andou e aquilo parece fixe, mas sim, existem sempre queixas do frio e assim.
Beijinhos!