Este post dedica-se aos estudantes desalojados que, por isso, tem outras despesas para além das propinas, isto é, o alojamento (o mais dispendioso), a alimentação e o transporte (algo que também é gasto pelos não desalojados), entre outros.
Nestes dois últimos anos, eu estive numa residência universitária, portanto, não precisei de me preocupar com a procura de quarto, ainda que tenha feito algumas pesquisas antes de saber que ia entrar lá. Normalmente, os estudantes bolseiros não precisam de se preocupar, pois os SAS (Serviços de Ação Social), costumam dar-lhes prioridade (ou nos casos em que não consegues uma vaga na residência, eles contribuem para o pagamento do quarto alugado). No entanto, é necessário procurar à mesma, para estar bem prevenida/o. E isso implica pesquisar desde cedo para encontrar bons quartos a um preço acessível. Mesmo que ainda não saibas para que cidade vais, aconselho-te a pesquisar, mais ou menos com um mês de antecedência, em cada cidade em que cada faculdade das tuas opções de candidatura está inserida.
Alojamento
Residências universitárias:
Como disse, nestes dois anos em que estive em Coimbra, optei pela residência universitária, por duas simples razões: por ser muito mais económico (geralmente, o preço ronda os 75 euros, para os bolseiros; e os 90 euros (ou mais) para os não bolseiros) e pelo facto da bolsa de estudo contribuir para essa despesa.
Na residência, estás sempre em contacto com várias pessoas. Não és só tu e mais uma a três colegas. Tens, pelo menos, dez colegas por piso (pelo menos na minha era assim) e todos os anos saem e entram novas pessoas e outras permanecem. Se fores do tipo de pessoa que gosta de estar sempre rodeada de (muita) gente, a residência é sempre uma boa opção. Caso contrário, sempre podes refugiar-te no quarto, como eu fazia.
Além disso, na residência tens que dividir ainda mais as tarefas, pois são muitas pessoas a usar a mesma cozinha (ou outra divisão em comum) e tens que esperar algumas vezes para puderes, por exemplo, usar o forno ou o fogão (ainda para mais se a cozinha for pequena, como era a "minha"). O que eu e as minhas colegas fazíamos era, em cada semana, cada duas pessoas de cada quarto ficavam responsáveis pela arrumação da cozinha (era a única divisão, excluindo o quarto, que tínhamos que ser nós todas a limpar; o resto era a empregada) e em levar o lixo aos respetivos contentores. No entanto, isso não implicava não limpar o que sujávamos, mesmo que não fosse a nossa vez de arrumar.
Quanto ao quarto, a desvantagem é que não tens privacidade nenhuma e podes ter o azar de calhar com um/a má/mau colega. No meu caso, tive sorte, pois tal não aconteceu, porém, antes disso, já tinha sido avisada que podia ter esse azar. Se calhares com um mau colega, a única solução é aprender a lidar com essa pessoa, darem-se bem, mas com a devida distância, isto é, evitares dizer certas coisas a essa pessoa ou à frente dela; e começares a não dar importância às suas atitudes, se as mesmas não te causarem problemas, propriamente. Se causarem, aí terás que impor respeito. De resto, fazes a tua parte das tarefas, essa pessoa faz a dela, vais para o computador, pões-te a ouvir música com phones ou então vais ao quarto só para dormir, caso a/o tua/teu colega lá estiver (alguns fazem isso, mas não só por essa razão).
Quartos alugados:
Eu não tive possibilidade de calhar num, pelas despesas (um quarto dificilmente custa menos 150 euros, e a esse mesmo preço também não arranjas facilmente, com as despesas incluídas), mas gostava de ter tido essa oportunidade, isto porque eu sou uma rapariga mais introvertida e não gosto muito de estar sempre rodeada de muita gente. Então, por isso, muitas vezes dava-me aquela vontade de ter só um espaço para mim, só com poucas pessoas debaixo do mesmo tecto. Mesmo não sabendo como é viver num quarto alugado, tenho noção de algumas coisas, pois conhecia colegas minhas que moravam num e ia lá muitas vezes e observava.
Uma das coisas que notei foi que viver com poucas pessoas pode aproximá-las mais, pois cozinham juntas, dividem as despesas e praticamente só se tem umas às outras para conviver naquele apartamento/casa; assim como pode fazer pior, ou seja, pode acontecer zangarem-se e depois não terem mais ninguém com quem falar. Já ouvi falar algumas vezes que, quando calhas só com uma pessoa ainda é pior porque se ela não for boa colega e se se marimbar para ti, é praticamente como se não tivesses ninguém ali para conviver e, sendo assim, pode tornar-se solitário. No entanto, nem tudo é mau. Existem sempre soluções nesses casos: podes aproveitar essa oportunidade para fazeres coisas sozinha/o, uma vez que praticamente passas o dia todo na faculdade, rodeado/a de pessoas, e isso não te permite fazer o que gostavas. Ou então, convidas colegas teus para irem lá.
Outra coisa que me alertaram, se eu fosse para um quarto alugado, é que está mesmo fora de questão vivermos com um amigo próximo (quem me disse é experiente, mas não quer dizer que seja sempre isso que acontece; só na maioria dos casos). É mais provável correr bem quando não conheces alguém e passas, portanto, a conhecer essa pessoa quando vives com ela, pois foi assim que se começaram a relacionar, do que com alguém que já era teu amigo antes. Uma coisa é conviveres com ele fora de casa, outra é estarem sob o mesmo tecto, diariamente, em que ambos tem que dividir tarefas. E é nessa divisão de tarefas que muitas vezes os amigos se chateiam, porque um não arrumou quando devia, ou porque um faz tudo e outro não faz nada, ou um faz a maioria e outro faz pouco, ou um traz amigos do seu curso até às tantas da noite e o outro quer dormir, pois no dia a seguir tem uma frequência - e isso pode muito bem estragar uma amizade. O mesmo acontece nos trabalhos de grupo.
Outras despesas:
Disto não vou falar muito. Basicamente, vocês já devem ter uma noção que quer sejam ou não estudantes desalojados, tem sempre outras despesas como a alimentação, transporte, material escolar (fotocópias de livros, slides com a matéria, impressão de trabalhos escritos, entre outros).
Sendo assim, para que não gastem demasiado nestas despesas, tem que procurar meios para tal: no caso da alimentação, é preferível trazer almoço/jantar (para os estudantes pós-laboral) ou almoçar na cantina da faculdade, pois são refeições económicas e completas (bebida (na minha faculdade, só a água é que era incluída; se quiséssemos outra bebida, teríamos que pagar à parte), sopa, prato, sobremesa).
No caso do transporte, pelo menos em Coimbra, nós estudantes usávamos um cartão mensal ou daqueles que se carregam conforme as viagens que queremos gastar. Em Coimbra, mensalmente, paga-se 22 euros (quando adquires o cartão tens que pagar mais por ele - provavelmente 5/6 euros a mais, já não me recordo bem) e as viagens são infinitas (o preço pode variar de cidade para cidade). Sendo assim, é uma questão de veres o que te compensa mais, se é o mensal ou o diário/semanal. Quanto às despesas de material escolar, depende daquilo que o curso exigir, mas normalmente, o que os estudantes gastam em comum são as fotocópias, os slides com a matéria e os trabalhos. Existem pessoas que não se importam ou preferem comprar o/s livro/s originais, ainda que fique mais caro, mas se quiseres optar por algo mais económico, as fotocópias são sempre a melhor solução.
Relativamente às compras, no caso dos estudantes desalojados, pelo menos eu costumava fazer uma lista do que precisava durante a semana e, quando chegava à cidade, no domingo, ia ao supermercado fazer as compras (tive sorte, pois tinha um pertinho da residência). Outras vezes, chegava cansada ou ficava com uma preguiçite aguda e só ia no dia a seguir. De qualquer das formas, estou só a dar uma sugestão. As compras são à vossa escolha, vão quando quiserem e organizam-se como bem entenderem.
Concluindo, espero que tenham ficado mais esclarecidos quando a este assunto. Sei que, ao início, podem ficar mais confusos, o que é normal; mas, como se costuma dizer: "primeiro, estranha-se, depois entranha-se". Daqui a um tempo, o primeiro impacto já deixa de ser um impacto e passa a ser uma rotina.
P.S. Ainda não sei se farei uma terceira parte acerca deste tema. Talvez faça ou decida falar sobre outro tema completamente diferente. No entanto, se gostavam que eu falasse acerca de algo relacionado com a faculdade, podem fazer sugestões nos comentários.
Entretanto, se tiverem alguma dúvida podem também fazer nos comentários. Se não responder no momento, não se preocupem, pois respondo mais tarde.
Para finalizar (mesmo), espero ter ajudado e espero igualmente que tenham gostado desta publicação. Para a semana há mais. Fiquem bem!



Estes posts estão, certamente, a ser muito úteis para futuros universitários :).
ResponderEliminarAchei curiosa a tua dica de não viver com os amigos, mas realmente faz sentido. Por um lado, ao ir viver com alguém que conhecemos sentimo-nos mais seguros (eu nunca passei pela experiência, mas sentiria-me insegura ao partilhar casa com pessoas com quem não conheço) mas, por outro lado, pode fazer com que nos chateamos e pode destruir até as nossas amizades. Quando fui a Londres, no 12º ano, e tive que dividir o quarto de hotel com as minhas amigas durante 4 dias, notei mesmo a diferença, é tudo muito diferente quando temos que estar sob o mesmo teto.
Beijinhos
Blog: Life of Cherry
EliminarA experiência de vivermos com alguém que não conhecemos ao inicio é sempre desconfortável, mas é preferível assim porque se se chatearem ou não se darem bem, ao menos sabes que isso não aconteceu com alguém que era teu amigo. Aliás, pode ser irreal mas em algumas séries televisivas que eu vejo ( por exemplo, How I Met Your Mother), demonstram essa situação de colegas de quarto de faculdade que se conheceram na residência, começaram a relacionar-se assim e depois ficaram grandes amigos e isso levou-os a viver sempre juntos, porque já se conheciam dentro de casa.
Mas cada caso é um caso, mas sim viver com um amigo é sempre muito diferente do que conviver com ele.
Beijinhos :)